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O Rosário

Capítulo do livro Dia a dia com Maria - Rachel Lemos Abdalla

Rezar o Rosário é meditar sobre a vida de Maria desde a Anunciação até a sua Coroação no céu como Rainha de todos os Anjos e Santos. Ela nos leva até seu Filho Jesus.

“O ‘Santo Rosário’ é considerado o resumo de todo o Evangelho… purifica o nosso coração para que aprendamos a amar a Deus sobre todas as coisas.”

Feche os seus olhos e imagine: quando recebemos flores – que tal rosas vermelhas?…

Imagine um buquê de duzentas rosas, salpicadas de mosquitinhos brancos, com algumas gotículas de água fresquinha que acabaram de esborrifar!

Quem as enviou nos ama muito, não é mesmo?

Que lindeza! Quanta alegria sente quem dá!

É isso que devemos sentir quando rezamos o Rosário: muita alegria, tal qual quem está oferecendo um buquê de rosas àquela que mais merece recebê-lo.

E… mais alegria ainda sente quem recebe!

E é isso que Nossa Senhora sente! Muita alegria mesmo, quando recebe as Ave-Marias dedicadas a ela.

No momento em que está recebendo o nosso buquê de orações, ela pára de chorar quando está triste… (e quantos motivos ela tem!), fica feliz e até sorri!

É como se aliviasse a sua dor.

Mas Maria sente dor no céu? Ela chora?

Sim. Maria sofre muito. É pela dor de ver seu Filho sendo rejeitado, desprezado, depois de ter sofrido tanto por todos nós, e tanto nos amar, a ponto de dar sua vida para salvar a nossa.

Afinal, o que mais Ele poderia fazer que não tivesse feito por nós?

No Rosário podemos viver com Maria, de várias formas, os momentos mais importantes de sua vida.

Vejamos: no primeiro terço nós contemplamos e meditamos os Mistérios Gozosos de Maria. São momentos de felicidade, de plena realização da obra primordial de Deus.

Iniciamos o terço com o Fiat de Maria na ANUN­CIAÇÃO DO ANJO GABRIEL para depois, junto dela, irmos cantando ao Senhor, fazer uma VISITA À SUA PRIMA ISABEL.

Maria volta para sua casa depois de três meses e com ela partilhamos um louvor a Deus no nono mês de sua gestação no NASCIMENTO DO MENINO JESUS EM BELÉM.

Depois do tempo de sua purificação, acompanhamos Maria na sua obediência às Leis do Senhor, APRESENTANDO O MENINO JESUS NO TEMPLO com quarenta dias de vida.

Quanta alegria e quanto gozo!

Quanta obediência e quanta servidão!

E agora, que susto!

Sofremos com Maria, e ela nos leva, juntamente com José, à procura de JESUS PERDIDO E DEPOIS ENCONTRADO NO TEMPLO. Na verdade, perdidos somos nós! Não sabíamos que Ele deveria estar ocupado com as coisas de seu Pai?

Jesus cresceu e durante os últimos três anos de sua vida foi, muitas vezes, ameaçado, perseguido, outras tantas desejado, solicitado e amado. Por fim, foi entregue nas mãos daqueles que não O reconheceram como o Messias esperado, e O açoitaram e O crucificaram.

Maria acompanha Jesus durante toda a sua vida, algumas vezes com Ele no colo, outras vezes, de longe, sem que ninguém perceba. Seus olhos não se desviam e, quando Ele se afasta, ela se mantém a distância sem perdê-Lo de vista, e outras vezes, em pensamento, com o coração.

No segundo terço, junto com Maria, contemplamos os Mistérios da Luz, a passagem da infância à vida pública de Jesus, e aqui, com exceção do segundo mistério, ela O observa de longe, O vê com o coração e pode senti-Lo bem próximo, e nos ensina a viver nossa intensidade de Amor por Ele.

Jesus é a Luz do mundo, Aquele que se coloca à nossa disposição para nos guiar e ser o nosso Caminho, anunciando o Reino de Deus.

Nosso olhar e nossa atenção se voltam para essa Luz no BATISMO DE JESUS no Rio Jordão, momento em que Ele aparece pela primeira vez publicamente e, inocente que é, se faz Homem comum para ser batizado, lavado aos olhos dos homens, purificado para nos salvar pela justiça divina. Mostra-se como a Luz que nos conduz à Vida Eterna pelo Amor do Pai que se manifesta, apresentando-O nessa hora como o Filho muito amado, e enviando o Santo Espírito que O conduzirá durante a sua missão.

E Jesus inicia sua auto-revelação pela vontade de sua Mãe, nas BODAS DE CANÁ quando obedece a seu pedido, mesmo questionando se chegou a “sua hora”. Naquele momento Jesus premeditou o momento em que realmente estaria se revelando como Aquele que veio para salvar, na hora da sua Morte e Ressurreição.

É preciso continuar sua missão no ANÚNCIO DO REINO DE DEUS E O CHAMADO À CONVERSÃO pregando o Perdão e o Amor ao próximo, o cerne dos seus ensinamentos e exemplo de vida, até o fim dos tempos.

Maria está observando, e sorrindo aceita viver fisicamente longe de seu Filho que precisa seguir avante, e se coloca sempre à espera, na certeza e na confiança de que em breve Ele estará por perto. E Jesus caminha com sua Mãe dentro do seu coração…

É o momento da TRANSFIGURAÇÃO em que Jesus se mostra com toda a resplandecência da sua divindade, pela vontade do Pai, que deseja que seu Filho seja ouvido e seguido por todos aqueles que desejam viver com Ele um dia, na sua Glória.

E depois, na INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA, Jesus se faz nosso alimento, expressão de Amor Maior por toda a humanidade, quando se oferece no Mistério Pascal (sua Passagem por essa Vida para nos revelar a Vida Eterna) para nos salvar.

Nesses mistérios, a presença de Maria fica em segundo plano, mas o que ela disse é o que deve e precisa ser ouvido por todos nós: Façam o que Ele vos disser nas Bodas de Caná, e é aí que se encontra o conteúdo da nossa oração e da nossa vida de seguidores de Jesus.

Nos Mistérios Dolorosos, terceiro terço, sofremos com Maria dores atrozes.

Junto dela oramos também na AGONIA DE JESUS, QUANDO SUOU SANGUE, NO MONTE DAS OLIVEIRAS. Ele já sabia o que ia lhe acontecer e estava chegando a hora. Jesus pedia: Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua! Entrando em agonia Jesus orava com mais insistência. Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão.

Nós acompanhamos Maria, que não desampara seu Filho, e sofremos com Ele na FLAGELAÇÃO, ATADO À COLUNA e na sua COROAÇÃO, COM UMA COROA DE ESPINHOS.

Depois de tanta humilhação e dor, junto com Maria, seguimos JESUS CARREGANDO A CRUZ PARA O CALVÁRIO.

JESUS É CRUCIFICADO, e será que temos forças para nos mantermos de pé, junto de sua Mãe?

A morte não é o fim. A vida ressurge e, junto com Maria, podemos agora alegrar-nos nos Mistérios Gloriosos, no quarto terço, com a RESSURREIÇÃO DE JESUS NO TERCEIRO DIA.

E durante quarenta dias Jesus fica ainda com os discípulos e sua Mãe para as últimas orientações, até o dia da sua AS­CENSÃO AOS CÉUS, de corpo e alma.

Maria nos chama a estar em união com os discípulos em oração e, junto deles, o ESPÍRITO SANTO DESCE SO­BRE TODOS, EM FORMA DE LÍNGUAS DE FOGO, NO CENÁCULO.

Ela cumpre, perfeitamente, a sua missão até o fim e por isso contemplamos a sua ASSUNÇÃO e em seguida a sua COROAÇÃO, NO CÉU, CO­MO RAINHA DE TODOS OS ANJOS E SANTOS.

Nesses vinte misté­rios da vida de Jesus, durante a meditação do Rosário, participamos junto de Maria, das suas alegrias, esperanças, dores e de seus merecimentos, e desejamos que um dia ela nos leve pelas suas próprias mãos para ficarmos com seu Filho Jesus na glória de Deus, nos céus.